Lacrainha

Nome Popular: Lacrainha
Nome Científico: Forficulidae
Animal perigoso: Não
Animal que pode causar Ferimentos: Não
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Lacrainha

Lacrainha ou Tesourinha é a designação comum aos insetos da ordem dos dermápteros, providos de grandes cercos no final do abdomen em forma de pinça, que lembram uma pequena tesoura, o que motiva seu nome popular.

São, na sua maioria, saprófagos, raramente herbívoros. Habitam locais úmidos e possuem hábitos noturnos, escondendo-se em abrigos, como fendas em paredes e debaixo de galhos e pedras, durante o dia.
Também são conhecidos pelos nomes de bicha-cadela, bicho-da-lenha, rapino, rapelho, raspelho e tesoura. Tendo como espécie-tipo a Forficula auricularia.

Insetos pertencentes à Ordem Dermaptera são vulgarmente conhecidos por “lacrainhas” e “tesourinhas”. Caracterizam-se por possuírem o corpo alongado, achatado dorsoventralmente, de 7 a 50 mm de comprimento, coloração variando de castanha a negra, com os cercos modificados em fórceps terminais. São terrestres e apresentam metamorfose simples. As cerca de 1900 espécies apresentam distribuição cosmopolita, exceto nos pólos. Nas regiões neotropicais são conhecidas perto de 450 espécies.

FILOGENIA E POSIÇÃO SISTEMÁTICA

A Ordem Dermaptera é mais uma das consideradas como neopteras de posição incerta (Kristensen, 1991). Estes insetos apresentam uma série de autoapomorfias, algumas das quais sugerem ligação com a ordem Plecoptera (ausência de gonóstilo nos machos, tarsos com 3 artículos) e outras com Embioptera (regressão da genitália e cuidado parental).

Ainda, segundo Kristensen (1991) a placa genital formada pelo esterno 7 é um caráter que pode sugerir o parentesco de Dermaptera a Dictyoptera (Blattodea, Mantodea e Isoptera), enquanto a ultraestrutura do espermatozóide assemelha-se a dos Phasmida (=Phasmatodea). Deste modo, percebe-se que a filogenia desta ordem ainda é bastante incerta.

A posição sistemática ocupada pela Ordem Dermaptera é: Super classe Hexapoda, Casse Insecta, infra classe Pterygota, Divisão Neoptera.

MORFOLOGIA EXTERNA

Os dermápteros apresentam a cabeça prognata, móvel, com olhos compostos desenvolvidos na maioria, mas menores ou ausentes em algumas espécies. Não apresentam ocelos. As antenas apresentam de 10 a 50 artículos. As peças bucais são do tipo mastigador, com mandíbulas apresentando 2 dentes apicais, lígula bilobada e hipofaringe com 3 escleritos.
O tórax destes insetos apresenta o pronoto grande, meso e metanotos subdivididos, nas espécies aladas. As pernas são semelhantes, com coxas largas e separadas. Os tarsos apresentam 3 artículos, com garras tarsais longas.

As asas anteriores são do tipo tégmina, alongadas, pequenas e com venação reduzida. As posteriores são grandes, membranosas, de forma semicircular, representadas quase que exclusivamente pela área anal muito desenvolvida.

O abdome apresenta-se achatado dorsoventralmente, com 10 segmentos visíveis nos machos e 8 nas fêmeas, onde os tergos e esternos 8 e 9 encontram-se fundidos aos tergo 10. Nos machos, as placa subgenital é representada pelo esterno 9 e nas fêmeas pelo S7. Em geral, os fórceps são mais recurvados nos machos.
As ninfas tem aspecto semelhante aos adultos. Diferem por apresentarem antenas mais curtas, com menor número de artículos, coloração mais clara, linha de ecdise conspícua sobre a cabeça e asas ausentes ou menos desenvolvidas (em espécies aladas).

ANATOMIA INTERNA E REPRODUÇÃO

O canal alimentar difere do dos demais ortopteróides pela redução das glândulas salivares e ausência de cecos gástricos. Apresenta inúmeros túbulos de Malpighi, longos e finos, abrindo-se no intestino posterior em 4 ramos. O sistema nervoso compreende 3 gânglios torácicos e 6 abdominais.
O sistema reprodutor das fêmeas compreende 1 par de ovários, ovidutos médios e laterais, espermateca e uma câmara genital. Nos machos, há 1 par de testículos, 1 par de vasos deferentes, 1 ou 2 vesículas seminais e um ou 2 dutos ejaculatórios terminando em um pênis esclerotinizado.

Em espécies tropicais ocorre cópula e reprodução durante todo o ano. Nas temperadas, embora ocorra cópula, a reprodução só ocorre nos meses de verão. A cópula é precedida por corte feita pelo macho. O casal se junta através de suas terminálias.

As fêmeas de dermápteros apresentam comportamento de cuidado à prole. O número de ovos varia de 20 a 50, dependendo da espécie. São depositados em buracos abertos no solo, pela fêmea, e são protegidos por ela durante todo o desenvolvimento embrionário, contra predadores e desenvolvimento de fungos. Quando as ninfas eclodem, as mães podem continuar protegendo-as por mais 1 ou 2 semanas. No entanto, após este período estas fêmeas tornam-se canibais. A duração da fase de ninfa varia com a espécies e as condições ambientais. Nos trópicos, as ninfas passam por 4 a 5 instares em cerca de 4 semanas.

Nas regiões mais frias, no entanto, o desenvolvimento pode estacionar nos meses de inverno, continuando na próxima estação quente.

ASPECTOS DA BIOLOGIA: HÁBITAT, HÁBITOS E INIMIGOS NATURAIS

Estes insetos habitam preferencialmente ambientes tropicais e temperados mais quentes, embora algumas espécies sejam encontradas em áreas mais frias. De modo geral, vivem sob troncos, folhas e sobre vegetais. A atividade é predominantemente noturna e a alimentação inclui material vegetal ou animal, vivo ou morto. Há ainda espécies ectoparasitas de morcegos.

Os fórceps são utilizados na captura de presas.
Aves e mamíferos insetívoros são os predadores mais comuns de dermápteros. Ocorre ataque de parasitas e parasitóides, respetivamente nematóides e cestóideos e dípteros da família Tachinidae. Protozoários do gênero Gregarina são comumente encontrados em algumas espécies.
De modo geral, dermápteros não são apontados como pragas. Eventualmente, algumas espécies ocorrendo em altas densidades podem provocar danos a flores e botões florais.
Algumas espécies atuam como reguladores naturais de insetos considerados pragas. Ainda, há espécies utilizadas em programas de controle biológico de ácaros em aviários.

CLASSIFICAÇÃO

A ordem Dermaptera é dividida em 2 subordens: Forficulina e Arixeniina. Apresentam 8 famílias, 6 delas com espécies tropicais. No Brasil, as duas famílias mais comuns são:
Forficulidae - segundo segmento tarsal bilobado, coloração marrom, alados, de 15 a 25 mm de comprimento.
Labiidae - antenas com menos de 30 segmentos, em geral pequenos (menos de 15 mm), coloração marrom a preta.

Espécies brasileiras


No Brasil a principal espécie é a Doru luteipes, que é uma espécie predadora que vem sendo utilizada por agricultores no combate as pragas na cultura de milho, principalmente às larvas de Spodoptera frugiperda. especialistas dizem que se esta espécie de tesourinha estiver presente em pelo menos 70% das plantas de uma plantação, já seria o suficiente para diminuir com a praga em um nível que deixaria de dar prejuízos ao agricultor.